dos mundanças

do fiapo
d’água,
arroio
de essências,
daquilo
que vim

no agora,
escandaliza
um rio

bom
perder o
horizonte,
ver o
sem fim
de cada
corrente,
cada veio
d’água
vistoso,
infinito
quente e frio

pensava remar.
que nada!
a vida
é questão de
ser-peixe.
infiltrado
d’água
nas guelras
seguir
misturado

enredado
de si, das
moças e botos
praia e tocos
todas histórias

misturado
mergulhado
no sem fim

e fazer-se
sempre
chegando…

cerrado

cerrado
terra
em milagre,
desenganada.

hoje,
assentado
em mim,
conheço o cerrado
do impossível.

na picada
rachada
a gritos –
verdades
retorcidas
em galhos
hirtos, mato.

um campo
sem sombras
esconderijos?

tudo
é sem parada:
revoada
florada
corredeira
pó.

o cerrado é
enquanto
recolho
pedras.

peças
no pra-sempre
desses todos
quebra-cabeças

missa de domingo

amanheceu o dia.

às seis horas
– quase ontem –
levantou-se,
devoto de si

entre os dentes
o terço de palavras gastas
confianças
graça armada em barro

bem dito o dia de provar o corpo
a intensidade
de uma missa em cápsula

de tudo se livra
ao todo converge
salve o reencontro
salve a descoberta

salve o homem-templo
salve o que desperta

palavras da salvação
– tudo vem de dentro de nós

para sábados

viver tempo de novena
sagrada quarentena
– entre –
em mim.

eu, procissão.

vão?
idéias carpideiras
ladainha perene
andor carregado
figura tombada
esculpida em pedra
desgastada
repartida.

vão?
ao cimo daquele morro
– antes –
serpenteia paciente
come as ladeiras
o asfalto falho
recortado

lá desata e oferece
prece apressada
inicia nova caminhada

o sertão vai dentro

diz-se, do sertão
que ele é
dentro da gente

naquelas áridas
paisagens
nas paragens
e lusco-fusco
dos saberes
no vazio
das certezas

resiste.
é chama
do fogo
das escolhas
da gente

quanto podemos aí,
capoeira
de tão pouco
enxergar?

ninguém sabe

não sabia diadorim
não sabia riobaldo
não sabia o coisa-ruim

deus? talvez menos
pobre diabo – blasfemo

pra mim
tudo parece
prosa de quando

se garra chover destinos
– nítidos –
quanda a hora precisa,
desenhada
pros passos novos

aqui!
mas se a chuva
vem do céu
caberia só espera
então?
esperança?

haveria em nós
um tempo de
ave de mau-agouro?
espreita
tocaia
fé no presságio?

vai tombada
à terra
a garrafa dos
nossos demônios?
necessários

na sombra
do capim-açu
d’onde dei pra
viver escondido
pensativo
amargoso,
penso que não

talvez seja a chuva
um desabrochar
da alma
vem de dentro:
fonte permanente
ali onde
se banham
verdades claras

sei não seu moços.
faço aqui
notas breves
contas de caderneta
silêncios
jeito de ajudar
a engolir os dias

e penso que perdi

perdi por aí
um resto
de ingenuidade
que ‘inda carregava

não sei pois
se é triste
o enfadonho, sabe?

penso, mas
não sei se existo
isto é certeza
pra ingleses,
os tais senhores

só não tenho força
pra atirar peneiras,
tampouco
tecer poemas
a moças-vaidosas

e são tantas, tão perto.

fica então
com este escorrido
de versos

vou te desejando
ingenuidades
desimportâncias
ilusões

daí a leitura.

este livro é parte
do presente.
mas também
ontem e amanhã:
Guimarães.
sertão
e fé.

a outra
sigo sendo eu.
e tudo que
não vejo ser

é…
verdade danada.
o sertão, seus moços
vai dentro da gente