machado

andava raso, no vesgo da luz
um machado pendia nas mãos.

o silêncio ponto do pássaro
fazia um tanto calor semfim.

e o tempo ia torto, sem sopro
de um sol promovido a doutor.

entre lembranças verdes, o,
casmurro na sombra minguada.

esqueceu-se do trem, amolecou-se
anoiteceu em ver quinquas borba

una vieja en el tiempo

¿son todos bailarines?
preguntó la madre
que iba en sueños
por las horas de la tarde

Y le dije, no.
No, Helena.
están solo bebidos
de infinitas botellas de tiempo colorido.
– ahora lo tienen…
Y me miré a mi, sorpreso

Y le dije, sí.
Sí, vieja,
bailarines en sus
pequeñas cajas musicales.

se hay un sonido de vida
flutuan en
noches de sol.

quieren todo de si
y vuelan plasticos,

están enamorados, vieja.
enamorados por
el verano de aquí

já vou

vou,
deixo-te
em elegância
de orvalho

adeus leve
sonolento
sereno
sobre nós

eu? quase-exilado
abraço distâncias
encolho permanente
entre o que
terra e brisa
deposito-me
e sigo
líquido petrificado

aceno último
porque vou,
não sou terra
tampouco outro

calo do tempo
nas nossas mãos
calo do quase
calo o amor

sinthoma-poesia

minha poesia é sinthoma
vertigem no pensamento
eu vomito frases e interrogo
onde tucanos almoçam silêncios

só as putas sabem os homens
quem a eles confessa buracos
bebe rios de oca intimidade
infinita força de quem escuta

é. mas hoje…

hoje é outra sexta-feira
ora manejo gostos perdidos
o tempo assalta ancoragens
a encher de palavras a funda

as quero composição lancinante
tudo esparrama na landa de agora
a ver se o sol faz de surra e pancada
o marulho deste texto deixado

é. mas hoje…

hoje é outro dia
de palavrear rebentos, rebentos, rebentos

para os dias comuns

toda pressa reprime
um silêncio

enquanto ponteiros
sequestram corações

o asfalto falseia
os contornos do tempo

e de solidão ninguém
se orgulha nas madrugadas

um dia é uma coleção
de vontades

braços quentes,
arremedo de útero

enquanto o cais
é um covarde viajante

toda invenção é aragem
em pulmões inférteis

toda poesia é lamento
êxtase e aparição

poemas apertados – 01

há um despertamento
entre tantos quandos
adormecidos e pontos

forma desajeitada
de perceber as horas
este emaranhado de galhos
nos quais embaraço desejos

há um tempo flácido
sem fim nem começo
para fazer segredos

tempo inventado em proza
rimado a amanheceres vagos
inversos dos amores meus