dobras

sat
lhe escreveria
palavras azuis

seria apenas para
lhe atiçar sorrisos

e dobraria o tempo
em camadas finas

para me mover
do antes ao agora

de hoje a ontem
sem obstáculos

e seria um satélite
minúsculo flutuante

a orbitar nossa cama
fotografando teu mundo

as cores dos seus sapatos
as marcas do teu rosto

teus olhos apertados
e os teus cabelos brancos

até me perder no tempo
mergulhar em outras dobras

e sempre poder voltar
em todas as direções

lá e aqui, lá e aqui, lá e aqui
para não existir saudade

moscar

wire

os tempos eram
tão confusos
que até o passado
era incerto

onde havia fardas
deram para enxergar copas

onde havia amor
viam hemorragia

tudo preto tudo branco
achincalhando cores
muros, bocas, olhares

cerveja corn
carne de papel

a virtude?
bits outros
gente virtual

sem padres
tudo-podia

reis sem cabeça
nas ruas e prisões

mas havia propaganda
e casais rodopiavam

uns poucos
em salões de cristal

outros tantos
apenas como moscas

num fiozinho de luz
elétrica