para quintas-feiras

O que setembro aprende com agosto?

seus dias secos moldados em tempo sólido
a agonia do inverno em um cuidado pálido
as poucas tardes caladas a procura de fôlego

o reencontro evitado com fantasmas incômodos
a terapia embutida nos amores recônditos
a incerteza concreta sobre um futuro insólito

a poesia encontrada num momento mecânico
as tantas cartas paradas nas respostas atônitas
o vai-e-vem calejado em tentativas biônicas

o não saber assustado feito em bomba atômica
a luz do sol diluída em noite eterna e intacta
o vir-a-ser enterrado sob uma montanha cármica

as construções permitidas na ascendência esférica

meta-poesia 4

Porque
nada
é separado.

então?

deveriaeufazerpoesiaaglutinantemandarinjogarossímbolospelosaresfeitotextotorrencialprodutordeerosõesnoqueécompartimentorepartiçãodatolicedosfatosedasopiniõessenadasealcançaaospedaçosreduçõesecadaconstruçãoéconcretoevazioharmonianyermaieriananapoesiadascurvasdoscôncavosconvexosedasinversõesquecontenhodomundodassuascontençõesdomundosemfim

o sertão vai dentro

diz-se, do sertão
que ele é
dentro da gente

naquelas áridas
paisagens
nas paragens
e lusco-fusco
dos saberes
no vazio
das certezas

resiste.
é chama
do fogo
das escolhas
da gente

quanto podemos aí,
capoeira
de tão pouco
enxergar?

ninguém sabe

não sabia diadorim
não sabia riobaldo
não sabia o coisa-ruim

deus? talvez menos
pobre diabo – blasfemo

pra mim
tudo parece
prosa de quando

se garra chover destinos
– nítidos –
quanda a hora precisa,
desenhada
pros passos novos

aqui!
mas se a chuva
vem do céu
caberia só espera
então?
esperança?

haveria em nós
um tempo de
ave de mau-agouro?
espreita
tocaia
fé no presságio?

vai tombada
à terra
a garrafa dos
nossos demônios?
necessários

na sombra
do capim-açu
d’onde dei pra
viver escondido
pensativo
amargoso,
penso que não

talvez seja a chuva
um desabrochar
da alma
vem de dentro:
fonte permanente
ali onde
se banham
verdades claras

sei não seu moços.
faço aqui
notas breves
contas de caderneta
silêncios
jeito de ajudar
a engolir os dias

e penso que perdi

perdi por aí
um resto
de ingenuidade
que ‘inda carregava

não sei pois
se é triste
o enfadonho, sabe?

penso, mas
não sei se existo
isto é certeza
pra ingleses,
os tais senhores

só não tenho força
pra atirar peneiras,
tampouco
tecer poemas
a moças-vaidosas

e são tantas, tão perto.

fica então
com este escorrido
de versos

vou te desejando
ingenuidades
desimportâncias
ilusões

daí a leitura.

este livro é parte
do presente.
mas também
ontem e amanhã:
Guimarães.
sertão
e fé.

a outra
sigo sendo eu.
e tudo que
não vejo ser

é…
verdade danada.
o sertão, seus moços
vai dentro da gente

saguão

dos dias em que há silêncio
devo pensá-lo espaço

vazio arquitetônico
esplanado
pedestal de deslumbramento
e dores

dos dias em que há rumores
devo pensá-los trovoadas

alma em tempo de chuva
sono de tudo o que é terminado
e certo
religio ao que assusta – eu

dos dias em que há imprecisões
devo pensá-las mórulas
tardança em enxergar veredas sólidas

e vai.

para todos os dias
jeitos de compreender
o sol e a lua
coisas que não só hermetos

os faço também eu

que na falta de melodias
vou lhes esculpindo
frases soltas