ensaios sobre setembro – 2

eu não conheci
a orgia dos padres
não roubei vinho
em sacristia
ou adormeci ao som
sufocado dos coroinhas

eu não atravessei
bêbado a fronteira
dos corpos amontoados
não fiz promessas
no vazio do ventre
das multidões

eu escolhi dia de chuva
para começar sapatos novos
joguei bola no morro a cima
deixei de fora o dinheiro
quando dei em comprar sentidos

eu não escalei palanques
fiz um arquivo morto de gravatas
recolhi, para perguntar das frestas
e descansei em dias de sol

agora, atravessei a rua
que levo tatuada no corpo
que é pra visitar
o outro lado de mim; e vou.

tenho lentes nos olhos
que são pra filtrar
o que desbota os dias

e procuro…

do teu medo
eu nunca fugi

tenho asas magras,
de alguma serventia

quero.
não espero
viver na tua boca

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