àquela gente,
enxergar
não procedia
paralisia
da visão
o curioso
era um
moleque
minguado
agredido
esquecido
pelas esquinas
sujas
da capital (feudo)
eram olhos
de pernas fracas
mas eram olhos..
àquela gente,
enxergar
não procedia
paralisia
da visão
o curioso
era um
moleque
minguado
agredido
esquecido
pelas esquinas
sujas
da capital (feudo)
eram olhos
de pernas fracas
mas eram olhos..
não sou, portanto
escritor, poeta
romancista, cronista
não.
não posso assim
meu sistema poético
é
órgão de sentido
cumpre sina
trabalha
opera no toda-hora
horas
insiste, porque existe
faço poesia
involuntária
questão
de manifestação
o vermelho habita a poética parida em mim olhos crepúsculos estrelas bandeiras flores e sangue é do que me farto pratos-feitos diários minha rubra - desejosa do incendiário - produção a respeito do cotidiano mastigado é que escrevo como se minha paixão fosse o relógio de ponto o café no balcão lotação, pressa fila feijão sobre tudo o que me serve de invenção incorporo mastigo mastigo quando termino e devolvo. a lápis da minha mão secreção poética tudo o que penso tomo emprestado licencio furto concepções, isso. assim deveria estar: eu, credor do que ao meu redor existe