missa de domingo

amanheceu o dia.

às seis horas
– quase ontem –
levantou-se,
devoto de si

entre os dentes
o terço de palavras gastas
confianças
graça armada em barro

bem dito o dia de provar o corpo
a intensidade
de uma missa em cápsula

de tudo se livra
ao todo converge
salve o reencontro
salve a descoberta

salve o homem-templo
salve o que desperta

palavras da salvação
– tudo vem de dentro de nós

para sábados

viver tempo de novena
sagrada quarentena
– entre –
em mim.

eu, procissão.

vão?
idéias carpideiras
ladainha perene
andor carregado
figura tombada
esculpida em pedra
desgastada
repartida.

vão?
ao cimo daquele morro
– antes –
serpenteia paciente
come as ladeiras
o asfalto falho
recortado

lá desata e oferece
prece apressada
inicia nova caminhada

para quintas-feiras

O que setembro aprende com agosto?

seus dias secos moldados em tempo sólido
a agonia do inverno em um cuidado pálido
as poucas tardes caladas a procura de fôlego

o reencontro evitado com fantasmas incômodos
a terapia embutida nos amores recônditos
a incerteza concreta sobre um futuro insólito

a poesia encontrada num momento mecânico
as tantas cartas paradas nas respostas atônitas
o vai-e-vem calejado em tentativas biônicas

o não saber assustado feito em bomba atômica
a luz do sol diluída em noite eterna e intacta
o vir-a-ser enterrado sob uma montanha cármica

as construções permitidas na ascendência esférica

meta-poesia 4

Porque
nada
é separado.

então?

deveriaeufazerpoesiaaglutinantemandarinjogarossímbolospelosaresfeitotextotorrencialprodutordeerosõesnoqueécompartimentorepartiçãodatolicedosfatosedasopiniõessenadasealcançaaospedaçosreduçõesecadaconstruçãoéconcretoevazioharmonianyermaieriananapoesiadascurvasdoscôncavosconvexosedasinversõesquecontenhodomundodassuascontençõesdomundosemfim

insistência

Me recordo
das ondas
um ir e vir
frenético:

i n a l t e r á v e l

busca constante
por um ser ( )
que nunca chega

insistente procura
andança
que não passa
e tentativas…
a motivar carícias na areia

dúvida vazia
[talvez?]
em procurarem
o que não conhecem